Um convite a ortodoxia IV

O que é Ortodoxia e Teologia ?

1 - Introdução

Deuteronômio 6:4, conhecido como Shemá, é considerado por muitos estudiosos como a primeira confissão de fé presente na Bíblia. Também podemos citar expressões emblemáticas nossas, como “A vitória é nossa pelo sangue de Jesus”, como uma forma de confissão. Mas o que seria uma confissão ou um credo exatamente?

2 - Definição inicial

Um credo ou confissão é uma declaração daquilo que se crê a respeito de algo. Quando declaramos que “a vitória é nossa pelo sangue de Jesus”, estamos reafirmando a nossa fé na salvação por meio de Cristo e anunciando aquilo que cremos para nós e para os que estão ao nosso redor.

Quando falamos sobre os credos e confissões cristãs, remetemo-nos a três principais: o Credo Apostólico, o Credo Niceno-Constantinopolitano e o Credo Atanasiano. Nomes difíceis, não é? Mas com o tempo fica mais fácil! Afinal, por que esses documentos são relevantes para nós hoje em dia?

3 - Uma certeza confirmada pelas eras

Imagine se tivéssemos que começar a estudar a Bíblia do zero, sem ninguém para nos orientar ou guiar nesse processo? Seria um imenso desafio. Por mais que tenhamos o Espírito Santo nos guiando, a questão é que Deus não nos deixou isolados no tempo. Se você duvida disso, deixo uma pergunta para meditar: diante de tantos irmãos apaixonados por Jesus ao longo da história, que buscaram a Deus e uma vida de santidade genuína, será que só a você foi revelada a verdadeira interpretação bíblica? Parece um pouco soberbo, não?

Não estou dizendo que não podemos ser convictos das nossas interpretações, mas devemos ser humildes e entender que bons crentes podem pensar diferente de nós e também são movidos pelo mesmo Espírito. Dito isso, há coisas que são inegociáveis. Elas foram defendidas pelos cristãos ao longo dos séculos e não podem ser abandonadas, pois são a base da nossa fé. Essas certezas estão resumidas nos credos. Elas são tão basilares que unem tanto protestantes quanto católicos e ortodoxos.

3.1 - O Credo Niceno-Constantinopolitano (325 / 381 d.C.)

O Credo Niceno surgiu para refutar a heresia de Ário, um presbítero de Alexandria que afirmava que Jesus era a criação mais elevada de Deus e, portanto, essencialmente diferente do Pai. Isso reduziria nosso Senhor a uma mera criatura. O credo reafirma que Jesus é Deus. Ele também fala a respeito do Espírito Santo, afirmando que Ele “procede do Pai e do Filho”, confirmando Sua divindade.

Aqui está o credo para que você possa ler:

Cremos em um Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos; Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus; gerado, não feito, de uma só substância com o Pai, pelo qual todas as coisas foram feitas; aquele que, por nós, homens, e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da virgem Maria e foi feito homem; e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos; ele padeceu e foi sepultado; e no terceiro dia ressuscitou, conforme as Escrituras; e subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai; e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho; que, com o Pai e o Filho, conjuntamente, é adorado e glorificado; que falou por meio dos profetas. Cremos na igreja una, santa, católica e apostólica.[1] Reconhecemos um só batismo para remissão dos pecados; e aguardamos a ressurreição dos mortos e a vida no mundo vindouro. Amém.

3.2 - Credo Apostólico (Forma final por volta do século VIII)

Apesar de não ser o mais antigo em sua forma final, é o que resume nossa fé de modo mais curto e preciso. Foi utilizado por muitos cristãos para discipular novos convertidos e era recitado em batismos como testemunho público. Foi amplamente usado pelos reformadores.

O Credo:
Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso,
Criador do céu e da terra;

E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
Nasceu da virgem Maria;

Padeceu sob Pôncio Pilatos,
Foi crucificado, morto e sepultado;
Desceu à mansão dos mortos;
Ressuscitou ao terceiro dia;
Subiu aos céus;
Está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso;
De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo;
Na santa igreja católica;[1] na comunhão dos santos;
Na remissão dos pecados;
Na ressurreição da carne;
Na vida eterna. Amém.

3.3 - Outros Credos primordiais

Temos ainda muitos outros credos importantes, mas a lição não tem espaço infinito. Por isso vamos fazer um breve resumos deles:

Declaração de Fé de Calcedônia (451)
Em resposta às visões errôneas da pessoa de Cristo apresentadas por Apolinário, Nestório e Eutiques. A definição calcedoniana afirma que Jesus Cristo é perfeitamente Deus e perfeitamente homem, que é consubstancial com Deus quanto à sua divindade e com os homens quanto à sua humanidade. Além disso, a humanidade e a divindade estão unidas no Deus-homem sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação.

O Credo de Atanásio
Apresenta, em versão resumida (40 versos), as doutrinas essenciais para a salvação afirmadas por toda a igreja cristã em todos os tempos e lugares: a Trindade e a encarnação do Filho de Deus.

3.4 - Credos e confissões modernos

Existem muitos credos modernos que surgiram nos tempo da reforma e que não são basilares mas tem uma relevância grande dentro da nossa história. Por exemplo: A Confissão de Fé de Westminster, ela é usada pela IPB - Igreja presbiteriana do Brasil, Os trinta e nove artigos da religião - usado pela igreja anglicana, A Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, usada pelas igrejas batista de londres e depois por muitas outras ao longo do tempo. A CBB, Convenção Batista Brasileira, tem sua própria confissão que nós subscrevemos.

4 - Catecismos

Catecismo significa instrução, e comumente usado em formato de perguntas e respostas. Normalmente lembramos do catecismo da igreja católica já que o evangelicalismo perdeu a tradição de usar o catecismo para ensinar os novos convertidos. Porém, durante a reforma, os reformadores fizeram uso extensivo de catecismos sendo o principal deles o catecismo de Westminster com sua versão menor tendo 107 perguntas e o maior tendo 196. Mas até os batistas tiveram como o Catecismo Puritano escrito por C. H. Spurgeon em 1855.

E mais recentemente temos o Catecismo Nova Cidade, usado por John Piper, Tim Keller entre outros. A verdade é que há muitos benefícios no uso desses instrumentos provados pelo tempo, mas esquecidos por nosso movimento evangélico.

Conclusão

Os credos, confissões e catecismos não são essenciais a nossa fé, já que nossa base suprema é a escritura. Mas esses instrumentos de ensino e continuidade histórica são de uma imensa riqueza que pode nos edificar e auxiliar grandemente nossa caminhada cristã.

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