Um convite a ortodoxia III
Ortodoxia x Igreja Moderna
1 - Introdução
Na experiência cristã contemporânea, milhares de pessoas têm entrado em igrejas, recebido o batismo, participado da Ceia e se comprometido com uma série de atividades, mas poucas têm refletido sobre o porquê de fazerem o que fazem. Estão simplesmente correndo e não dedicam tempo para se questionarem a respeito da jornada na qual entraram. Afinal, o que Deus espera de nós?
2 - A pergunta mais importante
Se essa pergunta fosse feita aos reformadores protestantes do século XVI, muito provavelmente eles responderiam que Deus espera quatro coisas de nós:
- Que creiamos Nele;
- Que obedeçamos à Sua vontade;
- Que recorramos a Ele em oração;
- Que estejamos atentos aos meios pelos quais Ele se revela a nós
Em outras palavras, eles entendiam que a formação do caráter cristão é melhor compreendida como a união de quatro partes harmônicas, a saber: fé, obediência, oração e encontro.
3 - Desarmonia contemporânea
A desarmonia dessas quatro partes da nossa experiência de fé tem produzido uma série de "camuflagens cristãs", que se confundem com o cristianismo, mas que, na verdade, são apenas caricaturas dele. Vemos tais camuflagens nos paradigmas contemporâneos:
3.1 - Fé sem obediência
Esta é uma contradição, uma vez que nosso amor a Deus se expressa através de nossa submissão aos Seus mandamentos (Jo 14:15, 21). Lamentavelmente, essa é uma realidade muito presente hoje em dia, gerando o que chamamos de nominalismo: pessoas que professam a fé, mas têm pouco ou nenhum envolvimento com a obra de Deus, com a leitura da Palavra e com a oração.
3.2 - Obediência sem fé
“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6). Hoje vemos cada vez mais igrejas onde o que importa é o esforço no trabalho; tornar o mundo um lugar melhor passa a ser o único objetivo. Geralmente, Jesus é visto apenas como uma pessoa extraordinária, e assuntos como a alma e a salvação eterna têm pouco ou nenhum espaço. Isso reduz a fé a questões sociais ou ao ativismo eclesiástico superficial, sem oração e devoção, como se o trabalho tivesse um fim em si mesmo.
3.3 - Doutrina sem espiritualidade
Muito presente entre os jovens de linha reformada que têm muita sede por doutrina, mas pouco encanto por uma vida piedosa. Assemelham-se à igreja de Éfeso (Ap 2:1-7), que era apta a provar os falsos mestres, mas tinha deixado o "primeiro amor" esfriar.
3.4 - Espiritualidade sem doutrina
Vem se popularizando cada vez mais em nosso país, com um forte apelo a experiências espirituais, emotivas e impactantes, mas com pouco compromisso com princípios morais e renúncia pessoal. É o movimento das muitas horas de adoração extravagante, sermões de autoajuda e estilo de vida confortável, livre da “carga pesada” da religião. Assemelha-se à parábola do semeador, onde as sementes são lançadas em solo pedregoso e logo secam por não terem raízes.
Pense nos israelitas em 1 Samuel 4:1-11: diante de uma derrota contra os filisteus, eles trouxeram a Arca da Aliança pensando que o objeto, por representar a presença de Deus, lhes traria a vitória. Quando a Arca chegou, festejaram com tanto barulho que os filisteus temeram. Mas, quando a hora da batalha chegou, a derrota foi certa: 30 mil homens morreram e a Arca foi roubada.
Conclusão
Para caminharmos corretamente nessa jornada da fé, precisamos combinar sempre a doutrina com a espiritualidade, a fé com a obediência. Lutero fez uma analogia que nos é muito útil ainda hoje: ele diz que a jornada cristã é como um barco; para seguir em frente, você precisa de dois remos, que ele chamou de doutrina e devoção. Se tentar usar apenas um, vai ficar dando voltas em círculos e nunca sairá do lugar.
Esse caminho correto também é conhecido como ortodoxia (crença certa), que está presente nas páginas da Escritura e foi comprovada pelo testemunho da Igreja ao longo de 2.000 anos. É um caminho seguro até o nosso alvo, que é Cristo. Vamos estudar um pouco mais sobre isso no próximo domingo.
