Um convite a ortodoxia II

O que é Ortodoxia e Teologia ?

Texto bíblico: Atos 2:42-47

1 - Introdução

O motivo do convite à ortodoxia é simples: estamos em uma jornada, e você precisa da bagagem adequada para viajar pelas estradas do cristianismo e não se perder no caminho. Aproveitando a metáfora da jornada, a ortodoxia é justamente esse conjunto de "equipamentos" desenvolvidos pelos nossos antepassados que nos ajudam a sobreviver na estrada, a resistir aos atalhos enganosos que aparecem durante o percurso e a permanecer na rota correta em nossa busca pelo conhecimento de Deus.

O termo ortodoxia vem do grego e significa "crença certa". É usado em contraposição à heterodoxia, que representa o movimento daqueles que abraçam crenças misturadas ou contrárias à fé cristã.

2 - Como chegamos à ortodoxia?

Bom, a ortodoxia é a essência que nos torna cristãos. Esse conjunto de crenças é alcançado através do estudo das Escrituras e de um olhar para aqueles que vieram antes de nós e para o que eles nos deixaram de herança. Ela é o estudo da teologia e da história dos antigos cristãos.

Um ponto importante a se mencionar é que, dentro dessa busca pelo centro da fé, as Escrituras são nosso grande balizador sempre. Nós, cristãos, sempre fomos muito bons em discordar! Se você for analisar a história da Igreja, verá muita briga e visões diferentes sobre quase tudo; porém, o que nos guia é sempre a Palavra. Ela é que vai bater o martelo e definir o que é correto.

Entretanto, é bom não sermos prepotentes e acharmos que somos os grandes estudiosos e descobrimos algo que ninguém nunca viu; muito pelo contrário! Cremos que o Espírito guia a Igreja. Então, olhamos para o passado com carinho e reverência ao que foi comunicado pelo Espírito aos pais na fé.

2.1 - O Espírito que guia a Igreja através do Tempo

Ao longo da história, tivemos muitos movimentos dentro do cristianismo e cada um tinha uma peculiaridade: os pentecostais têm a questão das línguas angelicais, os luteranos têm a consubstanciação, os batistas têm o modelo de igrejas independentes e por aí vai. Essas várias doutrinas divergentes, que formam a identidade das denominações, são discordâncias em pontos não fundamentais que não descaracterizam o cristão.

Mas o Espírito Santo de Deus tem confirmado em todos esses irmãos doutrinas basilares que definem o que é ser cristão e com o que todos os cristãos sempre concordaram, mesmo que de forma superficial. Isso é o básico, sem o qual nós não podemos nos considerar crentes. Por isso, devemos considerar o que os que vieram antes de nós têm a dizer. Afinal, Deus não falou somente conosco nos últimos 2000 anos, não é verdade?

2.2 - Por que ela é tão importante?

Para um relacionamento verdadeiro com Deus, é necessário termos informações corretas a respeito de quem Ele é. O que cremos a respeito de Deus determina o nosso amor por Ele e como O enxergamos. Como diz o salmista: "Amo o SENHOR, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas" (Salmos 116:1). O fato de saber que Deus está atento às nossas orações é um dos milhares de motivos para amá-Lo. Em outras palavras, quanto mais sabemos sobre Deus, mais preparados estamos para amá-Lo.

Além disso, um pensamento errado acerca das doutrinas básicas pode nos levar a sermos considerados descrentes. Pense nas Testemunhas de Jeová, que acreditam que Jesus não é Deus e, por isso, são tidas como seitas pela maioria das igrejas.

2.3 - Como sabemos como os antigos cristãos pensavam?

Já que falamos que devemos olhar para os antigos e encontrar o que os cristãos sempre consideraram essencial, fica a pergunta: onde encontramos isso? É até simples, na verdade; a encontramos nos credos, catecismos e confissões ao longo da história. Temos que ler seus escritos e livros, mas isso é um pouco mais trabalhoso.

3 - Teologia, A Rainha das ciências

Temos a tendência de depositar a responsabilidade do estudo das Escrituras no colo dos nossos líderes, sejam eles pastores, professores de EBD, discipuladores etc. Terceirizamos nossa visão de Deus e damo-la integralmente a outros, ou pior, não estudamos e nem ouvimos nossos líderes; assim, mantemos uma visão de Deus que é só nossa, um Deus feito à nossa imagem e semelhança.

Esse esforço de aprender mais sobre Deus e Sua Palavra é o que chamamos de teologia. A nossa visão sobre Deus tem que passar pelo nosso esforço pessoal de aprender sobre nosso Senhor, buscá-Lo na Escritura e em oração, aprender o que a Igreja tem a nos ensinar, pois não somos os únicos com quem o Espírito fala e devemos andar juntos com a comunidade de fé em que fomos salvos. É um esforço tanto individual como comunitário.

3.1 - Uma Definição da Teologia

O que é teologia, afinal? Uma definição que gosto é a teologia como autodescrição da fé. Ela se propõe a descrever a fé e o conhecimento de Deus conforme revelados em Jesus Cristo e nas Sagradas Escrituras. Sua tarefa é primeiramente trabalhar para reconhecer e preservar a fé que nos foi dada pelo Senhor e, então, aplicá-la como a norma que orienta a vida cristã. Ela abraça o princípio fides quaerens intellectum — fé em busca de entendimento. Não estamos tentando entender Deus racionalmente para então crermos n'Ele; pelo contrário, nós primeiro cremos n'Ele de todo o coração e, então, buscamos pelo sentido da nossa crença.

3.2 - Propósito e audiência da teologia

O propósito da teologia é obter o conhecimento salvífico de Deus, entender como adorá-Lo e como viver uma vida correta que O agrade. Sua audiência é a própria Igreja. Não que ela não seja relevante para o mundo no geral, mas só terá efeito à medida que a Igreja entender e viver conforme essa revelação, assim trazendo esses princípios para os âmbitos éticos, políticos e sociais da nossa sociedade.

Conclusão

Ter um relacionamento saudável com Deus passa por sabermos quem Ele é e o que Ele fez. E isso passa por conhecer o básico da fé e se empenhar no estudo das Escrituras e na oração.

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